segunda-feira, 17 de maio de 2021

O Luar do Sertão


Luar do Sertão - Um espetáculo inesquecível


            Fiz diversas viagens pelo Brasil, muitas delas foi de avião, mas sempre preferi viajar de carro, primeiro pela liberdade que tinha de parar onde quisesse e conhecer com calma pessoas e lugares maravilhosos. Neste artigo, contarei uma longa viagem que fiz, de Salvador até Recife, via Petrolina, passando por Juazeiro do Norte. Uma viagem de 1.500 quilômetros, em pleno sertão brasileiro.             

Fitinhas na Igreja N.S. Bonfim - Milhões num ato de fé

         A viagem teve início na cidade de Salvador, onde havia trabalhado por cerca de 15 dias e nas horas de folga, tive oportunidade de visitar os principais pontos turísticos das cidades, como o Farol de Itapuã, Lagoa do Abaeté, as praias de mar aberto, como a Pituba, Placaford e outras, bem como as praias do Farol da Barra, onde fiquei hospedado no hotel Praiamar. Não pude deixar de visitar o Mercado Modelo, visitar o bairro do Pelourinho, subindo pelo Elevador Lacerda e pedir proteção ao Senhor do Bonfim, onde, como não podia deixar de ser, sai da igreja com muitas fitinhas, algumas amarradas no pulso, para levar para os amigos e familiares.              

             Minha primeira parada foi Feira de Santana, uma cidade imensa, de grande comércio, muito movimentada e ali é o entrocamento da BR -101 com a BR — 116, portanto, o trafego de caminhões por ali é muito grande. Até chegar a Feira de Santana, meu objetivo era seguir para Aracaju, depois Maceió e chegar em Recife, uma viagem bem mais curta, mas um dia eu teria que visitar as cidades do interior do sertão e aproveitei faze-lo naquela viagem.              

Uma ponte liga Juazeiro (Ba) a Petrolina(PE)

            Parti em destino a Juazeiro, a última cidade da Bahia, que faz divisa com  Pernambuco, por uma ponte sobre o Rio São Francisco, que leva a cidade de Petrolina. O início da viagem foi tranquila, fiz uma parada na cidade de Jacobina, apenas para conhecer a Cachoeira Véu das Noivas, mas saia muito fora do meu roteiro e acabei seguindo viagem para a cidade de Senhor do Bonfim e este trecho a estrada já estava em péssimo estado de conservação. Aqui cabe um comentário importante: esta viagem fiz no ano 2001, portanto, tudo pode estar diferente hoje. Resolvi parar num posto de estrada para abastecer e estava começando escurecer e eu queria chegar em Juazeiro e faltava ainda cerca de 130 quilômetros. Segui viagem e a estrada foi piorando e com o cair da noite, já não dava para ver os buracos no asfalto e com isso a velocidade foi ficando reduzida e a viagem cada vez mais longa. Cheguei à (Juazeiro) por volta de 20 horas e procurei um hotel para pernoitar.             

 No dia seguinte, visitei os clientes que a empresa tinha em Juazeiro, aproveitei para conhecer a Orla de Juazeiro, a beira do Rio São Francisco, próximo à ponte que liga à cidade de Petrolina e estava na hora de partir, pois, tinha muitos clientes para visitar em Petrolina. A ponte que separa às duas cidades mede 800 metros e leva o nome de do ex. presidente Eurico Gaspar Dutra.  A lembrança desta ponte foram diversos garotos mergulhando dos pilares na parte rasa do rio. Uma diversão para a garotada.  

Ponte Eurico Gaspar Dutra sobre o Rio São Francisco

         

             Petrolina foi eleita como a cidade com melhor qualidade de vida no Nordeste. A cidade fica às margens do Rio São Francisco, que oferece passeios de barco e praias fluviais, como a Ilha do Rodeadouro. Para os amantes de cultura, o Centro de Artes Ana das Carrancas tem figuras metade humano, metade animal, que eram usados nas antigas embarcações. Petrolina, foi eleita como a cidade com a melhor qualidade de vida entre todos os municípios do Nordeste brasileiro, incluindo as capitais, conforme o Índice dos Desafios da Gestão Pública (DGP), feita pela Macroplan, que avalia segurança, saneamento e sustentabilidade, entre outros fatores, publicado no início de fevereiro.

A fé do povo nordestino pelo Padin Padre Ciço


            Embora meu destino inicial fosse Recife, eu resolvi nesta viagem fazer um desvio de rota e ir visitar Juazeiro do Norte, à terra do Padre Cicero. Eu tinha muita curiosidade em conhecer esta cidade, pela sua história de milagres atribuídas ao padre. Eu precisava contratar um vendedor para a região e o acaso me apresentou a um rapaz chamado Wilson. Fiquei amigo da família, ganhei um pochete de couro, que uso até hoje. Recordo com carinho de um jantar que tive com eles no hotel que eu estava hospedado e na ocasião brinquei muito com sua filha, uma garota muito esperta, que devia ter uns 10 anos, mas com um nome lindo: Brisa. Pena que o destino nos apresenta e nos separa. Nunca mais pude repetir este encontro.

            Mas voltando à viagem, a cidade de Juazeiro do Norte é uma cidade simples, cuja atração principal é a imensa estatua do Padre Cicero, de mais de 15 metros de altura, a igreja e o museu dedicado a ele. Vizinha de Crato, estas duas cidades formam um grande aglomerado de pessoas em pleno sertão do Ceará. Em festas católicas, a cidade de Juazeiro do Norte é tomada por romeiros que vem de toda parte,

Museu do Cangaço em Serra Talhada


            Era hora de partir. /tinha duas alternativas: seguir pelo interior do Ceará ou voltar ao estado de Pernambuco e conhecer um lugar que marcava meu imaginário; Serra Talhada. Queria conhecer mais a terra e a história do lendário Lampião e lá se encontra um museu com lembrança do Capitão Virgulino Ferreira da Silva. Confesso que fiquei um pouco decepcionado com o que vi, mas de verdade, nem posso afirmar o que queria ver. Foram apenas lembranças de um tempo que não volta mais.

Bando de Lampião 


            Dali segui viagem até Caruaru, uma cidade próspera, onde tem a tradição de ter o melhor São João do Brasil, uma feira onde se encontra um pouco de tudo, mas entre Serra Talhada e Caruaru, fiz parte da viagem à noite e era uma noite de lua cheia. A estrada estava deserta e a região é composta de vegetação rasteira e resolvi curtir alguns momentos de paz. Desci do carro e fiquei admirando o Luar do Sertão. Como o solo é arenoso, a luz refletida da Lua, transforma a região num espetáculo único. Dá para se enxergar a uma grande distância e a Lua parece maior. Foram momentos  fantásticos que descobri por mero acaso, mas que valeu a viagem.

Festa de São João em Caruaru - A maior do Brasil

Feira de Caruaru - Onde se encontra de tudo.


            Após ficar em Caruaru uns 03 dias, segui viagem para Recife, uma das mais belas cidades do nordeste, mas ai vai ficar para outra história. Mas fica a dica. Se um dia passar pela região e for noite de Lua cheia. Pare o carro e curta o momento. Será inesquecível.

terça-feira, 20 de abril de 2021

OS CAMINHOS DE UM MERCADOR DE SONHOS

                 Certa ocasião resolvi ter que escrever um livro. Era uma ideia simples, apenas completar um desejo e apos muito tempo e muito pensar, resolvi escrever sobre minhas viagens e sobre meus amigos. Para não ficar uma biografia, com data e outras referências, fui contando histórias que foram vividas nas mais diversas situações e o resultado final foi bom. Quem dele tiver oportunidade de pesquisar em suas páginas, vai encontrar situações similares, que o mundo das vendas proporcionam e desejo muito que os que comprarem, gostem do trabalho apresentado. 


Os que se interessarem em adquirir um exemplar, acesse o link


https://clubedeautores.com.br/backstage/my_books/published

quarta-feira, 31 de março de 2021

AMAPÁ - O FILHO DISTANTE

                   

Marco Zero - A linha do Equador corta a cidade de Macapá

                     Em possibilidades naturais, salvo se for por negócio, visitar o Amapá é muito difícil. Estive lá por 03 vezes. Duas delas fui de avião e uma vez fui e voltei de barco.e sempre a trabalho, mas nestas viagens tive oportunidade de conhecer muita coisa bonita, que pretendo contar neste espaço do “blog”.

Aqui começo o Brasil - Divisa com a Guiana Francesa


                    Primeiro alguns dados geográficos, informações extraídas da Wikipédia, mas que podem estar ou não atualizadas, visto que o último censo aconteceu em 2010, mas vamos lá: O Amapá está situado a nordeste da Região Norte e faz divisa com o Estado do Pará, pela Guiana Francesa, pelo Oceano Atlântico e pelos Rios Amazonas e Suriname. É literalmente um mar de água, não é uma ilha, mas é cercado de águas. Foi elevado a categoria de estado em 1988 e foi escolhida para ser a capital a cidade de Macapá. Sua população está estimada em 850.000 habitantes.

Porto de Santana - O ponto mais próximo da Europa e EUA


                    Todas as atividades comerciais se concentram em Macapá e em menor escala na cidade de Santana, onde esta, localizado o porto comercial do estado e por ali escoa toda a produção dos produtos ali produzidos.

Ponte turística sobre o Rio Amazonas -  Ótimo lugar ver o por do sol


                    Confesso que nas vezes que estive em Macapá, pude apreciar a beleza do por do sol na ponte que avança sobre o Rio Amazonas, que proporciona um momento inesquecível, como também a visita à Fortaleza de São José do Macapá, um lugar histórico, construído pelos portugueses em 1761, para se defender dos franceses que desciam o Rio Oiapoque para atacar os redutos portugueses.

Fortaleza de São José do Macapá - Ponto turístico imperdível


                    Em Macapá tem uma zona franca, onde também é praticado um comércio mais atrativo para os moradores do estado, mas ela, embora supervisionada pela Superintendencia da Zona Franca de Manaus, fica muito aquém de produtos e oportunidades da capital  amazonense.

                     Como escrevi mais acima, estive em Macapá por três vezes, numa delas em avião comercial, sem nenhum problema, outra resolvi ir de barco e foi uma viagem inesquecível, tanto pela beleza como o medo que passei, pois, durante o trajeto, no início da noite, caiu um forte tempestade, que durou mais de horas e o barco virou uma casca de noz. Balançava ao movimento das ondas. Foi uma noite de terror.  Na terceira viagem, já desistira da fantasia de viajar de barco e fui de avião de carreira e após terminar o meu trabalho, minha próxima parada era Manaus. Um voo comercial levava cerca de 03 horas, devido escala em Santarém. Eu confesso que não curto muito viajar em aviões comerciais. Eles voam a grandes altitudes e você fica o tempo todo sentado num banco, se ter o que fazer e nesta última viagem que fiz a Macapá, resolvi voar para Manaus num avião da TABA, uma aeronave Bombadier, que voava a baixa altitude e seguia praticamente, o tempo todo, o leito do Rio Amazonas. O grande atrativo desta viagem foi que por voar baixo e mais devagar, dava para ver as belezas da selva amazônica

Pororoca - Encontro das águas do Rio Araguari com o Oceano Atlântico


                        Esta viagem durou exatamente 10 horas. Foi feito escalas em várias cidades, como Óbidos, Oriximiná, Santarém, Parintins. No final, o cansaço já se fazia presente, pois não havia serviço de bordo e a fome era grande, mas foi uma grande aventura. Outro momento inesquecível que vivi em Macapá, foi conhecer o ponto mais distante do Brasil: O Oiapoque. Lá não tinha comercio para o meu produto, mas queria conhecer esta cidade e fui numa van, que fazia o trajeto. A estrada estava esburacada e foi praticamente o dia todo para vencer os 580 km. Queria conhecer as famosas "pororocas", mas não tive oportunidade de faze-lo.

Estadio Zerão - a linha divisória coincide com a do Equador


                        Este é um pequeno pedaço do Brasil, repleto de belezas, muitas riquezas e que poucos brasileiros tiveram oportunidade de conhecer, mas vale a pena, até para curtir uma curiosidade que é a linha do Equador, que corta a cidade e exatamente na  linha divisória do planeta, esta a divisa do campo de futebol Milton de Souza Corrêa chamado popularmente de Zerão. Lugar encantador.

                    







quarta-feira, 10 de março de 2021

MACEIÓ - O CARIBE BRASILEIRO

                 

\PRAIA DA PONTA VERDE

             Trabalhei muitos anos viajando pelo Brasil e tive, felizmente, oportunidade de conhecer o país de ponta a ponta e em cada lugar que passei, além de deixar amigos, levei um pouco da alma do lugar, que  agora se transformam em doces recordações. Neste “blog” já publiquei diversas viagens em belos lugares, mas nada se compara a capital de Alagoas, a incrível Maceió, um paraíso que todo brasileiro deveria conhecer.

           Um pouco da cidade. Maceió, capital do estado de Alagoas, conta, de acordo com o IBGE é a décima quarta capital brasileira em número de habitantes, com mais de um milhão de moradores. A temperatura média anual oscila entre 25 a 29 graus centígrados é um convite para a visitação de turistas durante o ano todo.


JANGADAS EM PAJUÇARA

             
              Suas belezas naturais atraem turistas o ano todo e nas inúmeras vezes que estive por lá, tive oportunidades de visitar diversos pontos turísticos, como os que mostro abaixo:

AEROPORTO ZUMBI DOS PALMARES


                  Para dar um melhor atendimento ao turista, foi inaugurado em setembro de 2005 o Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares. Um dos mais modernos do Brasil e chegando à cidade, vai encontrar uma vasta rede de hotéis, desde a Praia de Pajuçara até Jatiúca.

PRAIA DO FRANCES

                 A primeira vez que estive em Maceió, em 1986, o primeiro ponto turístico que fui conhecer foi a Praia do Frances. Este local esta, situado, a cerca de 20 quilômetros do centro de Maceió e é um dos lugares mais belos a serem visitados. Uma praia de areia muito branca, tendo a frente um banco de coral, que formam uma imensa piscina, que permite aos turistas um calmo e refrescante banho de mar. Diz a lenda urbana, que o nome do lugar se deu quando a chegada de navios franceses, que usavam aquele lugar como ponto de entrada no estado. 

    

PAJUÇARA - PISCINAS NATURAIS

            No centro da cidade, esta localizada a Praia de Pajuçara. O seu maior atrativo não é a praia propriamente, pois o mar naquela região é calmo, sem ondas e com isso permite aos jangadeiros levarem turistas até um ponto localizado a uns dois quilômetros da praia, onde um grande banco de coral, com a maré baixa, formam uma grande piscina. Ali, num dia de muito sol, se reúnem dezenas de jangadas, uma montada com sistema de som, outras com bar e permanecem por ali por horas, até que a maré começa a subir. Lugar imperdível para se visitar.    

  

LITERALMENTE UM MAR DE BELEZAS

         Uns quilômetros à frente, começa a Ponta Verde. Uma praia de águas calmas, com muita vegetação flutuando, dai o nome. Neste local é o "point" da cidade, com inúmeras barracas à beira-mar, onde se encontra desde um coco verde, até um sofisticado prato de lagosta ou camarão. Muita música e alegria no local. Nesta região estão localizados diversos hotéis, categoria 05 estrelas, que merecem ser conhecidos.

PRAIA DE JATIÚCA - MAR ABERTO MARAVILHOSO


            Para fechar esta frente de mar, tem a Praia de Jatiúca. Local de mar aberto, muito frequentado pelos turistas e amantes do “surf”. Um lugar belíssimo. Em resumo, Maceió, somente na parte central, desde a Praia de Pajuçara até Jatiúca, oferece inumeras atrações, excelentes restaurantes, onde se destaca a carne de sol.

ENCONTRO DAS ÁGUAS DO RIO SÃO MIGUEL COM O MAR

              Dois lugares que turista algum pode deixar de visitar, além dos citados acima, é a Barra do Rio São Miguel, à cerca de 40 quilômetros de Maceió e a Lagoa do Mundaú, que além de oferecer aos turistas passeios de escunas, oferece também um gama de opções culinárias nos diversos restaurantes montados à sua margem.


LAGOA  DO MUNDAÚ - PASSEIO IMPERDÍVEL


                    As praias de Maceió são lindas, o povo é muito hospitaleiro e um sem dúvida um dos melhores pontos turísticos para se vistar por isso ela é reconhecida com o "Caribe Brasileiro"


                                




quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Realizar um sonho: escrever um livro.

        


        Creio que a maioria já pensou em escrever um livro, mesmo que seja para ficar guardado na estante da sua casa e quem sabe um dia alguém possa ler. Escrever um livro considerado um "Êxitos de vendas" é uma fantasia gostosa de imaginar, mas a realidade é diferente. Não importa o assunto a ser explorado, fazer os seus escritos chegar a milhares de pessoas, sem apoio da mídia e de um grande projeto de “marketing” é praticamente impossível  tornar-se conhecido.

        Resolvi topar o desafio. Não de me tornar conhecido e nem de escrever um livro que seria de cabeceira de milhares de pessoas. Fiz algo mais simples; escrevi um livro, que será lançado brevemente contando historias de minha família, dos meus empregos, dos meus amigos e o resultado ficou bom.

        Vou ser otimista e acreditar que em algum canto deste Brasil imenso, que foi palco do meu trabalho e base do meu livro, alguém irá compra-lo, talvez por achar a capa bonita ou apenas por comprar para conhecer. Não importa o motivo. Os poucos, creio que serão poucos, que chegarem a adquirir este livro que ainda não estou com título definido conhecerão um pouco mais do mundo das vendas e dos vendedores. 

Em breve, publicarei mais detalhes. A foto é a que será usada na capa do livro, mas o titulo ainda pode ser mudado. 

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

A MÁGIA DAS VENDAS

 




Nos últimos 35 anos de minha vida sempre trabalhei com algum tipo de vendas. Minha primeira experiência aconteceu quando ainda era garoto, talvez uns 12 ou 13 anos e consegui um emprego para trabalhar num bar de uma estação ferroviária com um tabuleiro para vender doces e biscoitos  aos passageiros de trem. Era engraçado a gritaria, “Olha o biscoito, olha a rosquinha de leite” e eramos em vários moleques e durante o dia, atendíamos diversos trem. Foi o inicio de tudo.

Apenas uma foto lembrança para ilustrar o tema.

Tempos depois, encontrei dois irmãos que estavam vendendo um tecido chamado JK bordado. Era uma venda contra pedido.  A gente levava o mostruário e visitava as donas de casa das cidades da região. Era normal vender cerca de 10 pedidos por dia, mas o inesquecível era o almoço: todo dia, pão, mortadela e guaraná.

Ai, o tempo de venda cessou, entrei para trabalhar no almoxarifado de um construtora e lá permaneci por 04 anos. Quando deixei esta empresa, meu pai conseguiu, através de um amigo, um emprego numa empresa de representação de tecidos e confecções de cama, mesa e banho, na cidade de São Paulo para atender o Estado de São Paulo e parte de Minas Gerais.
 
Eram dezenas de mostruários
Todo orgulhoso do meu feito, cheguei em casa vindo de São Paulo com duas enormes malas de mostruário, com diversos tipos de tecido, como tergal, gabardine, tricoline, popeline e até o mais famoso deles o linho york street, além de amostras de toalhas de mesas, toalhas de banho, roupão de banho, lenções de casal, de solteiro, de bebê, enfim, uma infinidade de produtos e como estava começando e não tinha experiência, me recordo até hoje da primeira venda,que aconteceu numa pequena loja de armarinhos.  Eu entrei na loja de armarinhos todo suado, pois não tinha carro ainda e comecei a mostrar a mercadoria de qualquer maneira, sem saber o que era uma coisa ou outra e talvez para me ajudar, esta primeira cliente, comprou de mim, alguns jogos de toalhas, uma compra pequena, mas que rendeu uma primeira lição, que levei para a vida toda:

Conhecer seu produto e a necessidade do seu cliente é fundamental para a realização de uma venda.

Foi importante para minha vida, a partir deste dia me preparar para visitar um cliente. Inicialmente por que as malas pesavam muito, segundo por que não tinha carro e terceiro, o que eu estava oferecendo nem sempre interessava ao cliente.

Comecei então, a me espelhar nos outros vendedores da empresa, que faziam o planejamento do trabalho a ser feito no dia, na semana e no mês e comecei a imita-los e as vendas começaram acontecer. Se eu planejasse visitar lojas de tecidos, eu separava mostruários que serviriam para aquele cliente e assim fui evoluindo e meu serviço foi deslanchando.

Planejar o trabalho, visitar o cliente certo com o produto certo é que todos vendedores devem fazer.

A partir de então, passei a me relacionar melhor com os clientes e fui criando uma carteira de clientes fidelizados, que todo mês compravam de mim e assim, minha experiencia como vendedor de tecido e confecções foi meu primeiro passo na carreira que escolhi para mim. Ainda tinha muito que aprender e embora estivesse com uma boa quantidade de vendas, aprendi uma dura lição, que me fez repensar a profissão:

Prometer e não cumprir é perder o cliente para sempre. É fundamental cumprir o que ficou combinado, dentro do prazo combinado.

Vou esclarecer o exemplo acima. Quando vendia tecido, fiz uma grande venda para uma industria de camisas. Era a minha maior venda, mas para meu desencanto, a fabrica não aceitou o pedido, pois já havia vendido um pedido maior que o meu para outro cliente e não tinha condição de produzir mais.  Nunca mais este cliente me atendeu. E com isso, minha carreira nesta área se encerrou.

Um mercado fantastico, cheios de desafios.

Tempos depois, já mais maduro, fui trabalhar num outro segmento: concreto usinado. Neste mercado, na epoca, havia muita duvida da sua utilização, pois quando um cliente contratava uma construtora ou mesmo um empreiteiro, o serviço de fazer o concreto na obra já estava incluso no preço da obra. Foi preciso desenvolver uma outra lição:

A missão do vendedor é atingir plenamente a necessidade do comprador e para isso ele precisa ter argumentos fortes e convincentes para fazer o comprador mudar sua forma de enxergar a situação.

Não se constrói nenhum imóvel sem o uso do concreto, portanto, este material é indispensável em qualquer obra. Mas embora isto seja uma realidade, os compradores ficavam relutantes em pensar que estavam pagando duas vezes pelo mesmo produto. Ai entrava a argumentação que o produto usinado era de melhor qualidade, que o empreiteiro ou a construtora poderia oferecer um desconto e assim a venda se concretizava. Hoje a realidade é diferente e o concreto usinado passou a ser obrigatório em qualquer construção, mas quando comecei, era tudo muito difícil, mas desenvolvi muito a técnica do convencimento.

Vou citar uma frase de Katherine Barchetti, que deve estar gravado na memoria de qualquer pessoa que pretende ser ou já é vendedor:

Não faça uma venda. Conquiste um cliente.

Iniciei um novo desafio na minha carreira; me tornei vendedor de publicidade em lista telefônica. Neste segmento, você vende apenas sonho. O cliente, via de regra, não esta esperando a sua visita e você chega, explica rapidamente o que esta fazendo, o cliente, muitas vezes sem entender bem o que esta comprando, assina um contrato de publicidade e seu anuncio vai aparecer no catalogo telefônico daí a alguns meses. Foi a maior escola de vendas, pois diariamente visitava 10 a 15 clientes que nunca tinha visto e cada um havia uma abordagem diferente e depois disso, nunca mais encontrava este cliente, pois o trabalho era muito dinâmico. Era cada dia  numa cidade por todo o Brasil. Milhares de visitas, milhares de não e centenas de sim. E vem mais uma lição:

O vendedor tem que ser persistente, ambicioso, não se deixar abater pelo fracasso de receber um não e estar sempre pronto e otimista para enfrentar um novo cliente, quantas vezes for necessário, até atingir a sua meta estabelecida.

Numa nova etapa da minha carreira, passei a condição de supervisor e nesta função, minha missão era orientar os vendedores, estabelecer metas, ajuda-los nas vendas. Foi como olhar do outro lado espelho. Eu percebia neles os erros que eu havia cometido e em reuniões semanais, trocávamos experiencias e a cada semana, nosso trabalho crescia, nos levando a liderança.

A função do líder é dar tranquilidade e confiança a sua equipe para que eles realizem suas tarefas com prazer e determinação.

Por 05 longos e inesquecíveis anos neste mercado, me deu base gerencial para um novo desafio; mercado de analises clinicas. Por ser um mercado técnico, o obvio que um gerente deveria ser alguém também técnico, mas tem uma verdade, que é minha:

Um vendedor pode vender qualquer serviço ou produto, mas um especialista nem sempre poderá realizar a tarefa do vendedor.


Analises clinicas: um mercado técnico 

Tinha um desafio. Uma missão: montar uma equipe de vendas em todo território brasileiro com a proposta de ter como cliente todos os laboratórios de analises clinicas e hospitais do Brasil. Tarefa quase impossivel, mas ao longo de 10 anos, consegui, junto com minha valiosa equipe de mais de 100 excepcionais vendedores, atingir 70% do mercado, tudo graças a fatores indispensáveis para o sucesso de qualquer empresa:

Planejamento, objetivos, suporte técnico e financeiro, capacidade de suportar crescimento de demanda e ter fidelização do cliente, oferecendo sempre a ele o melhor serviço, o melhor atendimento.

O tema Vendas é emocionante e em poucas linhas é quase impossivel descrever tudo que esta profissão fantástica oferece, mas hoje com a tecnologia do lado, ela pode ter-se tornado um pouco mais impessoal, mas isto obriga o vendedor a se preparar mais para os desafios que a vida moderna impõe.

Um pensamento para refletir,

O único meio de evitar erros é adquirindo experiencias, mas a única maneira de adquirir experiencia é cometendo erros- (Lair Ribeiro)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

A CRISE DE NATAL

 


A CRISE DE NATAL

Era a semana antes do Natal. O primeiro a perceber foi um dos duendes do setor de pesquisa. Ele saiu da sala, carregando um notebook, um monte de papel impresso e gritando:



– Reunião!!! Todo mundo para a sala de reunião!!!!

Não era fora do comum àquela confusão na fábrica do Papai Noel, ainda mais na reta final. Por onde se olhasse, duendes carregavam materiais, brinquedos que não passavam no teste de qualidade, cartas que chegaram atrasadas, ração extra para as renas, e outras urgências para o grande dia.

Mas essa correria era diferente. O duende da pesquisa sentou na sala de reunião, ligou o notebook no projetor e já estava deitando números antes mesmo dos duendes responsáveis por outras áreas chegarem. O duende do setor administrativo acalmou o pesquisador:

– Calma, deixa todo mundo chegar?

Aí, entraram pela porta da sala de reuniões os duendes da contabilidade, do marketing, do RH, do financeiro, do comercial, do atendimento, da produção? Foram se colocando ao longo da mesa de reunião. Claro que a ausência do Papai Noel, o presidente em pessoa, foi sentida. Mas o pesquisador já tratou de dizer:

– Eu avisei o Papai Noel, mandei e-mail, mas ele falou que não era para se preocupar!! Como?  É terrível! É calamitoso! É desastroso! É catastrófico!

– Chega, controle-se! O duende do marketing mandou um olhar severo para o desesperado empregado? o que pode ser tão ruim?

– O ICPN caiu para menos de 50%!

Nem bem o duende terminou a frase, os demais entraram em polvorosa. Veja bem, o ICPN é o Índice de Crença no Papai Noel, o indicador que determina quantas pessoas no mundo ainda acredita no bom velhinho e que faz a fábrica de brinquedos continuar em funcionamento. Claro, já houve períodos de baixa, mas nunca para menos da metade das pessoas do mundo. Isso sim era preocupante.

O duende do administrativo tentou colocar a reunião no rumo e começou a estabelecer uma pauta:

– Mas como isso aconteceu? Como pudermos deixar isso passar?

– As crianças estão crescendo muito rápido. É a internet? Interferiu o duende do atendimento? Vocês sabiam que existem 20 comunidades? Eu odeio o Papai Noel? Antigamente era bom? Até podia ter uma criança ou outra que não acreditasse, mas era mais difícil espalhar para as outras. Hoje elas entram na Internet e ficam se falando, direto!

– Mas e esses pais que trabalham fora de casa quase o dia inteiro? Interveio o responsável pelo RH? Eles trabalham, ficam loucos para ter sucesso nos escritórios e esquecem-se do Natal. Pior, fazem os filhos esquecerem também!

– Eu falei para vocês ano passado: a gente tinha que investir na imagem do Papai Noel, fazer a cara dele aparecer na mídia não só no Natal? Colocou o gerente de marketing.

– Como se pudéssemos investir muito em promoção! O duende do financeiro atropelava? A criançada hoje em dia só quer brinquedos eletrônicos! Playstation, computador. Vocês sabem quantos pedidos de celulares recebemos este ano? Isso tudo é caro para produzir, não sobra verba?

– Controle de danos, rapazes? Interrompeu de novo o administrativo? o que podemos fazer para reverter isso nessa semana ainda? Quero respostas hoje depois do almoço.

Os duendes passaram o resto da manhã rabiscando alternativas. A queda do ICPN foi o assunto no refeitório durante o almoço. Todos estavam muito receosos, pois as perspectivas de emprego no Polo Norte não eram boas se não trabalhassem lá. Mas o Papai Noel não demitiria ninguém, demitiria? Mas então, por que ele não apareceu para dar satisfações para esclarecer tudo?

Os diretores até se perguntavam isso, mas não tinham muito tempo para tanto, estavam preocupados com os planos. Após o almoço, o diretor administrativo tomou a frente da reunião de vez (até sentou na cadeira do chefe) e pediu para que os departamentos apresentassem os projetos. O marketing começou:

– Como todos sabem, uma empresa prospera com a busca e conquista de novos mercados. Estamos em um mercado consolidado, o atendemos com excelência, e devemos expandir. Acho que está na hora de partirmos para os maus meninos.

– O quê! Você está louco? Pode parar! As reações variavam, mas eram todas negativas.

– Senhores, os meninos maus são um grande mercado. Já se foi à época em que ser bonzinho era o objetivo dessa criançada. Eles competem desde cedo, para virarem adultos competitivos. Não podemos fingir que não vemos.

Os duendes recusaram a proposta do marketing. Mais algumas ideias foram recusadas, por serem igualmente absurdas ou impossíveis. O marketing, não querendo desistir da glória de resolver o problema, chamou a agência de publicidade.

O executivo da agência começou:

– Vocês têm um problema de imagem. O trenó, renas, roupa vermelha larga, barba branca que nem algodão, tudo muito legal, serviu bem, mas isso ficou lá atrás, é coisa do passado. Precisamos de um novo conceito em Papai Noel. Um Papai Noel extremo!

– Extremo? Os duendes se entreolharam.

– Sim. Esse novo Papai Noel vai ter atitude. O trenó dele vai ser substituído por um carro envenenado, de preferência um carro que vire um robô gigante, sabe? Isso seria ótimo. A roupa precisa mudar também, talvez umas botas de salto, calças pretas de couro e jaqueta motociclista, com um Ray-Ban bem transado.

Os duendes estavam meio na dúvida, mas a exposição da agência era muito boa. O executivo não deu trégua:

– E ele tem que emagrecer. Essa imagem de gordinho não funciona mais, ele passa a impressão de ocioso, preguiçoso. Como as crianças vão acreditar que alguém tão grande viaja o mundo inteiro à meia-noite? O nome vai mudar também; Papai Noel? Não é nada extremo. Ele vai ser chamado só de Noel. Um nome só é moderno, tipo Ronaldinho, Gisele, Britney. Isso sim é extremo, atual, campeão de vendas.

Os duendes pareceram gostar da ideia, talvez pelo desespero de encontrar uma solução. O duende do marketing soltou aquele sorrisinho de vitória que fazia os outros pegar bronca dele (e ele já até imaginava campanhas para meninos maus no ano seguinte). Porém, a secretária do Papai Noel entrou na sala assim que eles estavam prontos para aprovar a campanha:

– O Papai Noel mandou todo mundo voltar ao trabalho e não mexer em nada na programação.

A indignação tomou a sala. Como pode o Papai Noel ficar quieto? 50% de queda no ICPN!!! Estaria ele ficando senil? Será que alguma empresa multinacional estava comprando a fábrica do Papai Noel e levando para o México? Será que Papai Noel estava falindo?

A semana foi passando, e os duendes mais nervosos ficavam. O Papai Noel evitava o assunto, não respondia e-mails que falassem da situação, e o Natal já estava próximo. Os duendes chegaram a fazer reuniões secretas para tentar resolver algo, mas não achavam justo fazer as coisas pelas costas do chefe.

Enfim, chegou o dia D: véspera de Natal. O duende da pesquisa saiu mais uma vez correndo da sala, com todo aquele material de novo. Os duendes esperavam o pior, já imaginavam que o Papai Noel nem precisaria sair com o trenó, já que à essa altura não sobraria ninguém que acreditasse. A sala de reunião dessa vez ficou cheia, e vários duendes ficaram do lado de fora, ouvindo e repassando o que seria discutido:

– O ICPN!

– O que aconteceu, o que o setor de pesquisa levantou? Perguntou o administrativo.

– Subiu! Está em 100%!

Os duendes ficaram doidos. Pulavam de alegria pelos corredores, comemoravam, estouravam champanhe, enchiam a cara de doce. Os porquês e como não importavam, tinham que deixar tudo pronto para a grande noite.

Mas nem o duende da pesquisa saberia dizer como o índice voltou para 100%. Ele saiu do trabalho no dia 23 com o índice ainda baixo e voltou no dia 24 com ele no máximo. Como é da característica de qualquer profissional de pesquisa (e esse duende era bem metódico), ele não queria ficar sem uma resposta.

Às 23h30min, quando o Papai Noel se preparava para a grande viagem, os duendes se reuniram em torno dele e o pesquisador tomou a palavra:

– Papai Noel, como o senhor sabia que o índice voltaria para os 100% na última hora? O senhor não deixou a gente fazer nada para mudar a situação, como o senhor podia ter tanta certeza?



– Meus amigos? Disse Noel enquanto abotoava o paletó? Deixe-me contar uma coisa para vocês: por mais difícil que seja o ano, por mais confuso que esteja o mundo, por mais que as pessoas pareçam se odiar na rua, por mais que os pais gastem mais tempo em carreiras do que em famílias, durante pelo menos um dia do ano eles se permitem acreditar no Natal, acreditar em algo melhor, acreditar que tudo vai ser resolvido no ano seguinte. Um dia é pouco? Pode até ser, mas enquanto pudermos manter as pessoas acreditando no Natal e no Papai Noel, vamos trabalhando para que um dia esse sentimento bom, essa alegria de estar com as pessoas que gosta, esse respeito pelo próximo dure o ano todo.

Depois desse dia, os duendes nunca mais fizeram reuniões de emergência, nunca mais andaram nervosos pelos corredores, nunca mais se importaram com o ICPN; só se preocuparam em fazer as pessoas felizes no dia de Natal. E isso era mais que o bastante.