O vendedor de sonhos

Homenagem a uma historia vivida por centenas de pessoas inesquecíveis que partilhavam os mesmos sonhos, os mesmos ideais.

sábado, 25 de novembro de 2017

CAMARÃO PARA OS MORADORES DE RUA

O titulo deste episódio pode parecer estranho, mas foi um dos momentos mais engraçado do meu tempo de vendedor de produtos para laboratório,  ainda na Wama Diagnóstica.

Paella Vallenciana
Como disse antes, a Wama era uma empresa nova, embora tivesse surgido a partir do Laboratório Médico Dr. Maricondi, uma empresa já bem consolidada na cidade de São Carlos,  por iniciativa do seu Diretor Presidente e os produtos que vendíamos ainda não haviam emplacado no mercado, devido a concorrência, situação financeira do Brasil, que ainda estava se recuperando do dinheiro que o Governo do Presidente Collor havia confiscado no primeiro dia de governo. Tínhamos  um aparelho que fazia leitura de placas para analisar alguns exames de imunologia, dois modelos de aparelho para realização do exame VHS, que era novidade mundial, um sistema que prometia água pura e ultrapura para uso laboratorial e pipetas austríacas, que embora de excelente qualidade, eram mais caras que as concorrentes brasileiras.
Modelos de pipetas
O dia a dia era muito intenso, muitas visitas e pouquíssimas vendas. Já estava temendo que a qualquer momento a empresa pudesse encerrar suas atividades.  Reconheço que na época foram muito ousados e continuaram investindo na empresa, mesmo com as vendas em baixa e hoje a WAMA se transformou numa empresa de âmbito internacional.

Local onde foi realizado o Congresso da SBPC em 1993
Naquela época, iria acontecer um Congresso de Patologia Clinica na cidade de Santos e o local escolhido para o evento foi o Shopping Miramar. Este congresso é muito concorrido e é realizado anualmente sob a chancela SBPC – Sociedade Brasileira de Patologia Clinica e tem por característica a presença de muitos proprietários de laboratórios de toda parte do Brasil e é o local ideal para realização de novas vendas e apresentação dos aparelhos.

Para incentivar o nosso desempenho, a diretoria da empresa prometeu pagar a vista, no termino do congresso, a comissão de todas as vendas realizadas. Eu e o meu amigo de viagem não deixava passar um congressista sem que o chamasse para o nosso stand e conhecesse nossos produtos. No final do 4° dia de congresso, havíamos vendido o valor equivalente a 06 meses de trabalho, o que ajudou muito no orçamento da empresa e no meu, em particular.

Como nada ocorre por acaso, ao lado do nosso stand estava o montado o stand do Laboratório LID. No dia a dia acabei fazendo amizade com os diretores desta empresa e fiquei de visita-los depois do congresso para instalar um sistema de purificação de água. Isto acabou ocorrendo um mês depois. Foi muito bom, pois além de efetuar a venda do aparelho, consegui arrumar emprego para meu filho Evandro, que viria a ser o primeiro vendedor de serviços de apoio a laboratórios. Foi o pioneiro de um mercado que só cresce, mas isto vai ficar para outra historia.

Durante o congresso, um grupo de empresários estava no nosso stand e era horário de almoço, e me convidaram para juntar a eles. Além de mim, foi também meu diretor, um parente  dele e mais 05 ou 06 pessoas.

Para meu poder de compra, o meu limite era um PF, mas como estava com o chefe e o pessoal  que estavam juntos também gostavam de uma boa comida, resolveram ir ao Restaurante Vista do Mar, na Praia do Embaré, ao lado da Praia do Gonzaga.

Este restaurante, cujo slogan é Rei da Paella Valenciana, é um dos melhores do Brasil e um dos mais caros também. Chegamos ao restaurante por volta de 13h30min horas e a casa estava praticamente vazia. Ajeitamos-nos numa mesa grande e veio o maitre oferecer os serviços e eles pediram a Paella, com entrada de casquinha de siri. Quantas para todos nós? – perguntou alguém. Creio que 05 serão suficientes, respondeu o maitre. Fechado!


Logo depois chegaram as casquinhas de siri, o couvert, refrigerantes e o grupo ficou conversando sobre negócios, família e outras besteiras enquanto o prato principal não chegava.  Passado uns 30 minutos, eis que começa a chegar o prato principal, mas era tanta comida, mas tanta comida, que daria para alimentar umas 30 pessoas tranquilamente. Houve protesto junto ao maitre, mas a comida estava na mesa, então vamos a ela. Os camarões eram enormes e muito. Um verdadeiro banquete. Confesso que comi tudo que podia e mais um pouco, mas era muito comida. Quando havíamos terminado, parecia que nem tínhamos almoçado. Tinha tanta comida sobrando, que até hoje tenho aquela imagem gravada na mente.

O volume era maior que o da foto, colhida no Google.
Para sacanear o maitre que tinha empurrado aquela quantidade enorme de comida, foi pedido que o que sobrou fosse colocado em “quentinhas”, que iríamos levar. Acredito que eles não esperavam por isso! Recolheram a sobra da comida e trouxeram a conta. Posso garantir que hoje aquele almoço custaria algo em torno de R$ 2.000,00. Bem, diz o ditado que cabrito bom não berra. Pagaram a conta e ficamos esperando as quentinhas. Quando elas ficaram prontas, creio que tinha mais de 15 lotadas até a boca com aqueles camarões enormes em cada uma delas.

Aquele dia eles almoçaram muito bem.
Colocamos numa caixa e voltamos para o congresso via praia e deparamos com um monte de mendigos deitados num canto da Praia do Gonzaga. Vamos dar esta comida para eles – disse um do pessoal do grupo. Voltamos com o carro, paramos ao lado deles e perguntamos se alguém queria comida. Foi um tal de neguinho levantando correndo e vindo em nossa direção e começamos a distribuir as quentinhas. Teve até que pegasse duas. E era engraçado vê-los todos felizes, comendo aqueles camarões com as mãos.

Voltamos para o Congresso e este foi o assunto contado varias vezes em diversas oportunidades. Coisas do Brasil!

Continua


Postado por Desafio fora do padrão às 13:34 Nenhum comentário:
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest

terça-feira, 21 de novembro de 2017

A MORTE PEDIU CARONA E EU QUASE PAREI PARA ELA

Fortaleza - todos merecem conhece-la
De volta à São Carlos, a vida voltou a rotina de vendas. Algumas viagens até São Paulo, outras nas cidades circunvizinhas, cada dia aprendendo alguma coisa nova, até que num determinado dia, lendo o Diário Oficial, notei que haveria uma concorrência publica em Fortaleza para compra dos aparelhos que vendíamos. Concorrência publica, para quem nunca participou é a venda mais tranquila e a mais complicada que existe. Você não tem que dialogar com ninguém, apresentar vantagens comerciais ou técnicas, você tem apenas que estar apto para participar do embate e para isso são exigidos muitos documentos e declarações. Você tem que apresentar certificados de  pagamentos de INPS, FGTS, PIS, Confins, Contrato social, numero de funcionários da empresa, currículos dos funcionários responsáveis por setor e montar um planilha técnica do produto e outra planilha de preço. De verdade, isto leva em média 03 dias bem trabalhado para estar tudo em ordem.

Ao chegar no local da concorrência, o pregoeiro recebe as propostas das empresas, todas em 02 envelopes lacrados, num constando os documentos e no outro a proposta de preço. Aberto o pregão, todos os participantes começam a conferir a documentação do concorrente e se estiver faltando um documento, você é eliminado sumariamente. Quando tudo esta conferido, as empresas consideradas aptas começam a participar de um leilão, onde a ganhadora será aquela que oferecer o melhor preço. Simples assim.

Bem, esta introdução é apenas para dar inicio a um dos momentos mais tensos e que senti mais medo em toda minha vida de viajante.  Fui chamado na diretoria da empresa e perguntaram se eu poderia ir de carro a Fortaleza participar da concorrência e eu prontamente aceitei. Ainda faltavam 15 dias para a data de abertura dos envelopes, mas por algum motivo que não consigo explicar, disse aos meus chefes que viajaria no dia seguinte e iria aproveitar para divulgar a empresa visitando alguns laboratórios no caminho. Na realidade, estava querendo chegar logo em Fortaleza, onde o Manoel morava e ficar uns dias de folga.  Tudo acertado me adiantaram um pouco de dinheiro e a promessa de depositar em minha conta valores, na medida em que eu fosse precisando para gasolina, hotel e refeição.

No dia da partida, sai cedo e pretendia dormir em João Monlevade, pra que não conhece, fica uns 80 quilômetros depois de Belo Horizonte. A viagem foi tranquila, embora já chegando a João Monlevade, tive que enfrentar, sob muita chuva, um longo trecho de estrada muito sinuosa, mas cheguei sem nenhum problema no hotel.  Minha meta para o dia seguinte era chegar a Vitoria da Conquista e dependendo do estado da estrada, talvez a Jequié, ambas as cidades já na Bahia.


A curva que me acidentei pode ter sido esta, segundo o Google
Tomei um café reforçado e comecei minha viagem em direção a Vitoria da Conquista. A primeira cidade, saindo de João Monlevade, pela Rodovia MG 381 é Bela Vista de Minas, um lugar pequeno, localizado no pé de um grande morro. Bem, eu estava viajando tranquilo, embora com chuva, subindo uma grande ladeira e bem no alto desta ladeira, a pista tem uma curva fechada, que de um lado tem as paredes do morro e do outro um precipício . Não sei como esta aquela estrada hoje, mas naquele dia que eu passei por lá, não havia nenhuma proteção.  A curva, não era difícil de ser feita, creio que com o tempo seco, poderia ser contornada, sem dificuldades com velocidade de 80 km por hora, mas no momento que eu estava passando por ela meu carro derrapou no óleo deixado pelos caminhões e o carro saiu girando em direção ao abismo e como ainda não era minha hora, o carro caiu com a roda esquerda traseira num buraco e parou.


 Embora tenha parado, o carro ficou atravessado na pista contrária e eu estava desesperado, querendo tirar o carro daquela posição e nem estava imaginando o perigo que havia corrido. Só queria tirar o carro daquele local,  pois tinha medo que algum outro veiculo viesse de encontro. Com muito esforço, consegui endireitar um pouco o carro, deixando-o alinhado com a pista contrária, mas já não conseguia rodar mais, pois o eixo traseiro havia quebrado com a pancada. Demorou uns 30 minutos para chegar um carro guincho da cidade de Bela Vista de Minas. Com meu carro guinchado e começar a seguir em direção a cidade, não tinha ainda percorrido nem uns 100 metros, um carro derrapa na mesma curva e passam reto em direção ao abismo. Se eu tivesse ficado ali mais uns minutos, este veiculo iria se chocar diretamente  com o meu e ai o resultado poderia ter sido outro. Neste acidente, no carro que caiu no abismo tinha 03 pessoas todas morreram.




Meu deu uma crise de nervo, de medo, uma coisa muito estranha. Nunca senti nada deste jeito. A impressão é que eu tinha alguma coisa muito forte ao meu lado, me protegendo. Meu anjo da guarda me afastou da morte aquele dia.
Fiquei parado em Bela Vista de Minas por 04 dias esperando chegar um novo eixo e neste tempo acompanhei a angustia das famílias das pessoas que haviam morrido. Eram todos moradores da cidade e a consternação era geral. Fiquei sabendo depois que já tinham acontecido muitos acidentes naquela curva, alguns com vitimas fatais.



Tradicional feirinha de artesanato de Fortaleza - Imperdivel

Quando o carro ficou pronto, segui viagem para Fortaleza e o resto da viagem foi tudo tranquilo, mas posso dizer que a morte me pediu carona e eu quase parei para ela montar.


Continua 
Postado por Desafio fora do padrão às 05:40 Nenhum comentário:
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest

terça-feira, 14 de novembro de 2017

RUMO A ITAJAÍ – SANTA CATARINA


ITAJAÍ - SANTA CATARINA

Com o passar do tempo, fui me adaptando ao mercado e recebi para trabalhar um veiculo Gol, 1989, já refrigerado a água e este carro foi meu companheiro por 02 anos.  As viagens eram constantes para diversas cidades e a assim como eu, a empresa também era nova no segmento de produtos para laboratórios. Havia sido fundado a menos de 02 anos, portanto era totalmente desconhecida do mercado.

Isto era um complicador. Muitas vezes você chegava num laboratório, tomava um tremendo chá de banco e era recebido, quando era, por uma pessoa que não tinha nenhum poder de decisão. Atendia por educação ou muitas vezes ninguém atendia. A própria secretária te dispensava já no atendimento. Fase difícil a de implantação de uma marca. Hoje, passados 25 anos de sua criação, a WAMA é conhecida em todo território nacional e seus produtos também são importados para diversos países da América do Sul, África e Oriente Médio.

O CARRO ERA BEM PARECIDO COM ESTE DA FOTO
Bem, voltando ao meu carro, eu utilizava um bagageiro, destes que se coloca e tira facilmente, para transportar um volume maior, pois o espaço interno do Gol era pequeno.  O mercado de analises clinica é muito concorrido, e a melhor opção para se mostrar ao publico é a participação em congressos. Eles acontecem com frequência e em diversos locais. É sempre uma ótima oportunidade de se apresentar aos possíveis compradores  e que seu produto é bom.

Num desses eventos, foi que aconteceu a minha primeira aventura digna de ser contada. Fizemos a inscrição para participar de um congresso regional que iria ser realizado na cidade de Itajaí, cidade próxima à Florianópolis. A promessa do organizador era a participação de 500 congressistas, sendo a maioria donos de laboratórios e estudantes já em fase de conclusão do curso de biomedicina, o que parecia ser ótimo para nós que estávamos começando.

Resolvermos apostar alto neste evento e para impressionar resolvemos levar 03 aparelhos diferentes, todos modernos e revolucionários para a época, como uma leitora de placa, um aparelho de VHS e um sistema de filtragem de água. Estes aparelhos valiam uns $50.000,00, quase 10 vezes mais que o valor do carro. Como não cabiam dentro do veiculo, a solução foi coloca-los no bagageiro, envolver com encerrado e amarrar da melhor maneira.  Estava tudo pronto para empreender a viagem de mais de 2000 quilômetros com ida e volta.











Embora não fossem pesados, os aparelhos deviam pesar no total uns 50 quilos, eram volumosos e sobre o carro ficou um pacote de uns 80 cm de altura por 1,00 m de extensão, todo envolvido em lona e bem amarrado e saímos para a viagem, logo pela manhã. O dia estava nublado e para cortar caminho, tomei o destino de Sorocaba e desci aquela serra estreita até Juquiá, onde peguei a BR 116 em direção a Curitiba. Até Piedade, antes da serra, estava indo tudo bem, mas ao entrar na cidade, passei um pouco rápido numa lombada e o bagageiro soltou. Sorte que estava devagar, pois o volume não chegou a cair, mas esteve por alguns centímetros de causar um baita prejuízo e uma provável demissão.

Cabeça da Anta - Ponto de Parada obrigatória na descida da Serra de Juquiá

Descemos do carro e com muito esforço, prendemos novamente o bagageiro e seguimos viagem com o maior cuidado na descida da serra.  Quando pegamos a BR-116, já na altura de Registro, começou a chover forte, mas era muita chuva mesmo, tanto que tivemos que parar num posto de gasolina e aproveitamos para verificar a amarração. As cordas tinham afrouxados e os aparelhos, agora também por conta da chuva, já tinha perdido a estabilidade.  Não dava mais para confiar na amarração e nas garras do bagageiro. Estávamos correndo o risco de deixar os aparelhos caírem pela estrada e então fizemos a única coisa possível.  Uma nova amarração, só que desta vez, passando a corda por dentro do carro, pelo vidro das portas. A amarração ficou firme, mas para entrar no carro, somente pela janela. Imaginem a cena: eu entrando num gol pela janela. Foi difícil fazer passar a barriga e dali até Itajaí, foi um desconforto para dirigir, pois a corda passava atrás do pescoço e o vidro não fechava totalmente e como chovia, entrava água no carro. Tivemos  que fazer mais duas paradas e nelas as cenas se repetiam: sair e entrar no carro pelas janelas.

Finalmente, sem mais incidentes, chegamos a Itajaí, molhados, com dores no corpo, mas estava tudo bem. Fomos para o hotel,  arrumamos nossas coisas, e depois fomos para o local do congresso para instalar os aparelhos e deixar tudo pronto para o dia seguinte, quando o evento iria começar. Ao chegar ao local, estranhamos, pois tratava de um colégio e os stands foram montados na área de recreio da escola. Uma coisa muito estranha, mas como os organizadores eram pessoas muito conceituadas no meio laboratorial, acreditamos que tudo estava dentro do previsto. Montamos os aparelhos, os panfletos, deixamos tudo em ordem e vimos que estávamos somente nós até aquele momento, embora houvesse alguns stands vazios, com nome de outras empresas, desconhecidas para nós.

À noite, saímos para jantar e resolvemos passar no local do congresso para ver como estava e vimos que haviam chegado mais algumas empresas, todas da área farmacêutica, com milhares de folders, amostra grátis de medicamentos. Nada a ver com o nosso mercado. Voltamos para o hotel  e no dia seguinte, todo paramentado com terno e gravata, chegamos um pouco mais cedo para dar um ultimo retoque no stand e aguardar os visitantes.  

Normalmente, congressos abrem por volta de 09h00min horas e quando este horário chegou, havia passado pelo stand apenas duas pessoas, sendo uma delas o organizador e outra o responsável pela locação do espaço. Nada de congressista. Nisso tocou a sirene do recreio e para nossa surpresa, o colégio, no período da manhã tinha somente alunos cursando o primário. Era criança pra todo lado, pegando panfletos, correndo de um lado para o outro, uma barulheira infernal. Até remédio de amostra grátis acabaram levando e nada de congressista.
A situação era parecida com a da foto, mas tinha crianças menores ainda

Quando as crianças voltaram para suas salas, o espaço dos stands estava uma verdadeira bagunça. Material de publicidade das empresas expositoras  estavam ali espalhados por todo lado, uma orgia. Ai, todos os expositores se reuniram e fomos conversar com o organizador, que disse que se sentia constrangido,  que sentia muito, mas somente 06 congressista confirmaram presença. O congresso que estava previsto para acontecer em 03 dias, acabou uma hora depois de ter começado. Um baita prejuízo.

Pensar que tínhamos passado tanto sacrifício na viagem para nada era frustrante. Tentamos marcar alguma visita a algum laboratório da região, mas não conseguimos e só restava voltar. Ai  fiz uma coisa que resolveu o nosso problema com a viagem. Fui numa oficina e pedi para o mecânico soldar o bagageiro no carro. Vai estragar a pintura, disse ele. Manda brasa. Depois mandamos repintar.  E assim foi feito. O bagageiro foi soldado, a pintura nunca foi feita e o carro foi vendido tempos depois do mesmo jeito que trabalhei com ele por quase dois anos.

Continua.



Postado por Desafio fora do padrão às 06:13 Nenhum comentário:
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

UMA NOVA ERA


Quando resolvi deixar a LTN e partir para uma aventura empresarial, hoje posso dizer suicida, não imaginava o quanto difícil iria ficar minha vida no aspecto financeiro.  Eu não tinha um super salário, mas o que ganhava era um valor muito maior que eu poderia almejar no mercado, pois ele me proporcionava uma boa vida, bem como a toda minha família.

Com o passar dos dias, o barco dava mostra de afundar. A editora que havíamos montado, parte pela situação econômica do Brasil na época e parte pelo desentendimento entre os sócios, já não estava produzindo o suficiente nem para pagar as despesas mínimas necessárias, e com isso, passamos a ficar sem salário, o que nos obrigou a passar usar a poupança para as nossas despesas pessoais. A duras penas, conseguimos sobreviver neste estado mais uns 06 meses e ai começou a debandada.


A Editora Paulista, que originalmente era composta de 11 sócios, passou para o comando de apenas 03 e acabou encerrando as atividades meses depois. Era o fim de um sonho  e o inicio de um pesadelo. O que fazer para manter a família? Acostumado com uma vida fácil, boa comida, hotéis de primeira qualidade, viagens constantes, de uma hora para outra, estava do outro lado, sem dinheiro, com cartões de créditos estourados e bloqueados, nome do SPC, cheques devolvidos e o pior, desempregado.

Dava impressão que o mundo havia parado. Todas as portas que conhecia estavam fechadas e o que eu sabia fazer? Ajudante de carpinteiro com meu pai ou vendedor. Mas vender o que? Tentei planos de saúde, rifas, carnê de sorteio de automóveis para um clube, mas nada dava certo. O que conseguia ganhar, mal dava para comprar comida para a família. Foi um período agonizante. Diz um ditado popular “que não tem mal que não acabe e bem que sempre dure”. E um dia, por acaso, somente por acaso, este período, que parecia uma tempestade tropical, cessou.

Voltando para casa, depois de uma semana trabalhando com plano de saúde da Blue Life em Ribeirão Preto, passei por uma festa tradicional na minha cidade e encontro um colega, que havia conhecido numa entrevista de emprego e conversamos alguns momentos e ele deixou escapar que estava a procura de um novo emprego, pois não suportava a ideia de viajar quase que diariamente para um laboratório de analises clinicas da cidade, onde exercia a função de vendedor de produtos para realização de exames. Quando disse isso, me empolguei e disse que este emprego me interessava. Será que ele podia me apresentar aos proprietários para uma entrevista? Claro, com todo prazer, respondeu.


No dia seguinte, ele agendou uma entrevista com a coordenadora do laboratório e no dia marcado, vesti um terno e fui todo alinhado conversar sobre o emprego que meu colega já não se interessava mais. Confesso que diante da necessidade, esta foi talvez a entrevista mais tensa que fiz em toda minha vida. A pessoa que me entrevistou era uma japonesa, que media no máximo 1,50m e pesava, com muito esforço, uns 45 quilos e eu com 1,92 m e 120 quilos, causava um contraste estranho e ficamos conversando em pé uns 10 minutos. Eu suava, não tanto pelo calor, mas pela preocupação de não agradar a entrevistadora, quando ela finalmente começou a conversar. O povo japonês, via de regra, não são de falar muito no inicio de uma conversa com estranho.  Depois que pegam confiança, ai fica mais fácil e o dialogo flui.

Ela gostou de mim! Incrível, mas ela ficou encantada com minhas palavras, com minha disposição e disse uma frase que soou como musica: “gostei de você, vou te dar uma oportunidade”. Faltou pouco para eu dar um beijo naquele pedacinho de gente. Com o passar do tempo ficamos amigos e hoje sei que ela mora no Japão, mas foi, com toda certeza a pessoa mais importante na minha carreira que eu iniciava, sem saber nada de laboratório de analises clinicas. Se não fosse aquele encontro casual com meu colega, que nunca mais vi e a entrevista com esta japonesinha as historias que irei contar daqui para frente jamais existiriam.


A partir da minha contratação pela empresa Wama Diagnóstica, da área de laboratórios de analises clinicas, perdi contato com o pessoal da LTN e dos meus sócios, que acho justo citar, como forma de homenagem a coragem de empreender num projeto que tinha tudo para dar certo, mas por uma mudança na política brasileira (mais uma) tudo ficou inviabilizado. São eles: Dimitrios, A.Guerreiro. Pinatti, Aílton, Marco Antonio, Silva, Manoel, Prado, Paolo. Braw e eu. A expressão, trocar o certo pelo duvidoso nunca serviu tão bem, como no caso da Editora Paulista.

Vida de vendedor, agora de serviços laboratoriais.

Depois de superadas as normas burocráticas da admissão, fiquei a disposição da empresa, para fazer um curso básico de analises clinicas, para entender o que eu iria vender. Tratava-se de Kit para realização de exames de Rubéola, Toxoplasmose, HIV, e outros e começaram a aparecer palavras que nunca havia tido contato, como anticorpos, antígenos, reagentes, EDTA, citrato de sódio, plaquetas, hormônios, TGO, TGP, imunofluorescência e outras infinidades de nomes técnicos que desconhecia completamente.

A pessoa que foi indicada para me ensinar, um engenheiro químico, que estava com sua agenda lotada e não tinha tempo para ficar me ensinado, me  dava um monte de revistas técnicas para eu ler e prometia voltar em breve para tirar algumas duvidas. E eu ficava o dia todo lendo, lendo e entendendo muito pouco. Fiquei nesta situação uns 10 dias.

Passado este tempo, surgiu à necessidade de fazer uma viagem até Curitiba e o motorista da empresa que iria levar um biomédico para fazer a apresentação de um aparelho ficou doente e perguntaram se eu poderia fazer a viagem, visto que o técnico não sabia dirigir. Aceitei prontamente.

Durante a viagem, o biomédico não conversava muito, pois ainda não me conhecia, tinha que estudar o aparelho que iria fazer a apresentação e sofria do mal do sono do passageiro. Lia um pouco e dormia. É horrível dirigir com alguém dormindo ao seu lado, pois o sono contagia, mas era minha primeira viagem e precisava do emprego, fiquei na minha e chegamos a Curitiba, depois de 10 horas de viagem, sem nenhum incidente.


Quando nos hospedamos, eu entrei no meu quarto, quase tive uma crise de choro, pois o hotel era 04 estrelas e eu tinha passado os últimos dois anos dormindo até no chão ou no banco de trás do meu Chevette. Ali, sozinho, disse pra mim mesmo: vou mudar minha vida a partir de agora. Vou fazer desta área de laboratório a razão da minha vida e vou vencer.

No dia seguinte, fomos até um grande laboratório para fazer a apresentação e montamos o aparelho num pequeno auditório e quando tudo estava pronto, chegaram cerca de 20 pessoas para ver a demonstração da maquina, que era um lançamento mundial e iria revolucionar diversas técnicas de fazer alguns exames, tanto em tempo como em qualidade de resultado. Meu colega nunca havia feito nenhuma apresentação para uma plateia e começou a mostrar insegurança ao falar. Percebendo isso, eu, que nada sabia do uso do aparelho, mas sabia como entreter o publico, entrei na conversa e comecei a desviar um pouco o foco do publico, permitindo que ele readquirisse a confiança para seguir com o curso. 

Aquilo deu tão certo, que mantivemos esta parceria por mais de 01 ano e vendemos muitos aparelhos. No final deste tempo, eu já dominava bem a matéria e cheguei a realizar algumas vendas sozinho.

Continua...





Postado por Desafio fora do padrão às 09:59 Nenhum comentário:
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest

domingo, 4 de junho de 2017

As melhores historias - grandes recordações



Embora considere minha participação na LTN escrita de forma resumida nos últimos 20 capítulos, creio que ainda sobra muitos assuntos que merecem ser comentados, mas nesta parte da narrativa procurarei me ater a somente boas lembranças e fatos engraçados, que conseguir lembrar.
Precisa de memória de elefante para recordar momentos pequenos, mas engraçados que aconteceram a mais de 30 anos, mas vamos ver o que vai sair depois de pronto.
Todos os que trabalharam na LTN, mesmo os que deram sequência nas tarefas quando a empresa passou a ser EPIL, mesmo que em épocas diferentes, viveram momentos inesquecíveis e isso que pretendo contar neste episódio.
Sashimi

Numa das primeiras viagens que fazia pela LTN, ainda era vendedor bem pezinho mesmo e estava trabalhando na cidade de Marília. Numa noite qualquer, fui convidado pelo Brito para ir ao um bar da cidade comer Sashimi. Eu estava igual a música do Zeca Pagodinho sobre caviar “nunca vi, nem comi, eu só ouço falar” e convidamos alguns outros vendedores, mas o único que aceitou o convite foi o Paulo Regis, lembram dele?



Quando terminamos o trabalho e deixamos tudo pronto para o dia seguinte, fomos nós, no meu chevette a gás,  comer Sashimi. Era um restaurante dirigido por japonês e fiquei sabendo depois que aquela região de Marília tem uma grande colônia de japoneses. Quando chegamos no restaurante, sentamos num local bem próximo à rua, e pedimos cerveja e uns tira-gostos e ficamos de papo por quase uma hora, quando finalmente o Brito pediu ao garçom trazer o tal Sashimi. 

Eu não tinha mesmo ideia do que seria o prato, apenas que era peixe cru e esta ideia não estava bem digerida pelo meu cérebro. Nunca, até então tinha sido chegado a peixe, com exceção da sardinha em lata ou de vez em quando um pedaço de imitação de bacalhau na Semana Santa, que era tradicional na casa dos meus pais. Minutos depois o garçom volta com um prato com um peixe todo fatiado, uma tigela com gengibre, um molho preto que eu também não conhecia e que depois fiquei sabendo que era shoyo e uma porção de uma pasta verde, com nome de wasabi.


O Paulo Regis e o Brito atacarão o prato vorazmente, enquanto eu ficava imaginando qual o sabor daquela coisa totalmente desconhecida para mim, mas resolvi arriscar e peguei um pedacinho e sem colocar no molho e nem nos outros acompanhamentos, dei uma mordida e quase cuspi. Tinha gosto de terra. O peixe era um Corimba.

Para fazer sacanagem, que depois repliquei por muitos anos, os dois me disseram que eu devia passar o peixe no shoyo e depois passar aquela pasta verde e assim o sabor de terra desaparecia. Foi o que fiz. Passei wasabi como fosse manteiga e mandei goela abaixo. Parecia que eu tinha engolido chumbo. Quando aquele peixe recheado com wasabi teve contato com minha língua, nossa, parece que para descrever, foi como se um bate estaca estive batido em minha cabeça. Lembro desta sensação até hoje. Os olhos lacrimejavam, e as lagrimas desciam pelo rosto. Eu, de aflição e dos meus colegas de tanto rir. Como diz o ditado, você aprende no amor ou na dor. Eu aprendi a comer Sashimi na dor, mas fiquei fã. Posteriormente, em outras ocasiões, repeti a experiencia com salmão e atum e os sabores muito diferentes de peixe de agua doce me fizeram um dos apreciadores desta iguaria japonesa.

Diz o ditado que vingança é um prato para se comer frio. Bem eu nunca pude revidar a sacanagem que o Brito e o Paulo Regis fizeram comigo, mas ao longo da minha vida como supervisor, gerente de outra empresa, sempre que eu convidava algum vendedor para jantar e se houvesse possibilidade de servir Sashimi eu não perdia a ocasião, caso ele não conhecesse, de fazer o batismo do wasabi. Sempre a cena se repetia e sempre era engraçado. Hoje é mais raro um momento deste para mim, mas recentemente fui jantar com meu neto e ele além de pagar a conta, teve os olhos lacrimejantes e até esqueceu que eu era o avô e me mandou para o inferno, enquanto eu ria do seu desespero.

Zona Franca de Manaus

Hoje a Zona Franca de Manaus já não tem o mesmo “glamour” de outrora, pois com o crescimento do contrabando dos produtos eletrônicos vindo da fronteira do Brasil com o Paraguai e a facilidade de se comprar produtos a prazo nas lojas, em shopping center, onde você consegue sem correr risco algum, adquirir o que existe de melhor na tecnologia, ficou tudo fácil, mas nem sempre foi assim.

Antes até de entrar na LTN, cheguei a fazer uma viagem a Foz do Iguaçu e o meu sonho de consumo na época era comprar toca fita “Roadstar”, aqueles desodorantes enormes, de embalagem verde, todo cheio de perfume “Brut”, que era caro no Brasil e hoje você encontra com a maior facilidade até no Mercado Livre e outras besteirinhas que se vendia por todos os lados de Ciudad del Este.



Um dos produtos mais procurados pelos turistas era o vídeo cassete e lá se comprava a preços bem mais acessíveis que no Brasil, mas o  comprador tinha que ter sorte ou comprar em lojas bem estabelecidas, como a Loja da China, mas que as vezes, dependendo da cotação do dólar, não valia a pena, então os mais incautos compravam de pequenas lojas ou mesmo dos camelôs e levavam para casa uma embalagem fechada, acreditando que dentro dela havia um vídeo cassete de última geração, mas quando abria a embalagem, iam notar que haviam comprado uma carcaça de vídeo cassete com um tijolo dentro. Era normal acontecer isso e depois não havia como reclamar.

Mas malandragem não tem fronteira e lá estava o grupo da LTN trabalhando em Manaus e era uma corrida nas horas de folga às lojas da zona franca. Câmeras fotográficas Olimpikus, que era o que havia de mais moderno no momento foi adquirida por vários vendedores e até era engraçado lembrar a cena no voo de volta quando um tirava foto do outro, das aeromoças, de uma nuvem, não importava o que, o que valia era tirar fotos para exibir o troféu conquistado; a supermáquina fotográfica, que tinha uma ferramenta que dobrava a capacidade do filme, ou seja, um filme de 36 fotos, ela conseguia tirar 72 fotos. Era o máximo! Eu, que ainda não dispunha de dinheiro para tanto, comprei uma garrafa térmica, aquela do Elefante, tecnologia japonesa e acreditem, depois de 33 anos, ela ainda continua em uso na minha casa, sem nunca, neste tempo todo, apresentar nenhum tipo de problema.


Mas teve uma situação engraçada vivida pelos vendedores Ailton e Marco Antonio. Eles estavam interessados em comprar um vídeo cassete e saíram com destino a grande loja da época que era a Mesbla, onde havia de tudo, com garantia de qualidade e bons preços, comparados com os praticados em São Paulo, mas antes de chegar a loja, foram abordados por dois vendedores de rua, que ofereceram a eles um vídeo cassete de 04 cabeças, JVC cheio de recursos. Como eles queriam, por um preço bem mais baixo que o da Mesbla resolveram comprar e enquanto rolava a negociação, apareceu a polícia para abordar os camelôs. 

O Ailton e o Marco Antonio se assustaram e foram embora rapidinho, sem ter fechado o negócio. Os dois, como a maioria dos vendedores, não tinham dinheiro sobrando, era tudo contadinho, senão faltava para as atividades do dia a dia. A solução era fazer pechincha para poder economizar o máximo. Este aspecto foi que evitou que tivessem um prejuízo, pois tudo estava combinado entre a polícia e os vigaristas. Era um golpe que eles aplicavam nos compradores menos avisados. 


Quando a venda se concretizava, a polícia chegava, prendia os sujeitos, o vídeo cassete e o dinheiro gasto na compra não era devolvido ao comprador. Por pouco, o Ailton e o Marco Antonio não entraram nesta gelada. À tarde, no atendimento, eles me contaram o acontecido e riam muito da situação que escaparam. No dia seguinte, voltaram à Mesbla e fizeram a compra do vídeo cassete de 04 cabeças, com nota fiscal e devem ter usado por muito tempo, pois os produtos legalizados que eram vendidos na Zona Franca de Manaus, tinham qualidade excepcional.

‘BIRD”

A vida de um profissional de vendas de publicidade em lista telefônica acredito, que nos idos de 1975 a 1995, era muito estressante. Quantas vezes o vendedor chegava para renovar um contrato ou mesmo fazer um contrato novo e usava aquela palavra que é igual caviar, que é a “tranca”. Todo mundo sabe que tinha, mas ninguém admitia. Era como o juramento do Eterno Segredo da Maçonaria. Existia, mas não existia oficialmente. Todo mundo acreditava nisso. Bem, a cada contrato, novo ou renovação, era uma dose de adrenalina imensa. O coração acelerava, a pulsação aumentava e o grau de stress que o vendedor era submetido era imensa e não teve um vendedor, seja em que época ou veículo que tenha trabalhado que não teve um momento assim.


E este “stress” não era restrito somente ao vendedor, também era extensivo aos supervisores, pois embora tivessem que checar o trabalho dos vendedores, tinham que ter habilidade ao fazê-lo, pois também não podia ir cancelando todo o trabalho realizado.
Houve, durante o tempo que lá estive, inúmeros casos de vendedores sendo expulsos de estabelecimentos, diversas vezes a polícia foi chamada pelo assinante e teve até um vendedor que levou um tiro no pé, quando trabalhava numa cidade do interior do Mato Grosso. Histórias deste tipo foram várias. Algumas acabaram em demissão outras em grandes gargalhadas.

Teve um caso que aconteceu com uma equipe do Guia Internacional W+V, que me foi contado pela nossa amiga Teresa Travia. Ela tinha uma equipe de vendedores e haviam terminado o trabalho na região sul do Brasil e chegaram para trabalhar o norte do Estado do Paraná, e a cidade escolhida para ser a sede do trabalho de uma semana foi Maringá. Cidade bonita, centro de uma região prospera, a equipe ficou hospedada no melhor hotel da cidade, como era costume acontecer e o trabalho foi normal na quarta, quinta e sexta feira. Bem, aí que começa a história. Tereza, naquela época tinha um namorado, um bocado ciumento, pediu, implorou, fez o diabo para ela vir passar o final de semana em São Paulo, pois, por coincidência, era comemorado o “Dia das Mães”.

Como uma boa profissional que era, na sexta feira, pela manhã, instruiu a equipe que iria viajar a tarde e que estaria de volta na manhã de segunda feira. No final do dia, despediu-se de todos após o atendimento e pegou um ônibus para São Paulo a noite.
Viajou tranquila, passou um final de semana reconfortante e no domingo à noite, pegou um ônibus e voltou para Maringá, chegando no hotel por volta das 06:00 horas. Logo que entrou na portaria do hotel, notou um clima diferente, pediu sua chave e subiu para seu apartamento. Quando lá chegou, quase teve um enfarte. Todas suas coisas estavam jogadas pelo chão, as malas abertas, atribuições espalhadas pelo apartamento, um caos total. Apavorada com o que via, desceu rapidamente para a recepção do hotel para dar queixa do ocorrido, mas aí sua surpresa aumentou mais ainda. O assunto já era de conhecimento do hotel e o autor do vandalismo foi um vendedor de sua equipe.

Este vendedor teve um “Dia de Fúria” e praticamente acabou com seu apartamento no 10º andar do hotel, jogando pela janela, travesseiros, colchão, televisão e outros objetos do apartamento e para completar o quadro dantesco, ele, completamente nu, ficou na janela do apartamento, fazendo a maior cena. Não deu outra. Polícia chamada e o vendedor, por estar naquele estado foi dominado e levado para um hospital, onde tomou um sossega leão.
Outro fato que deixou a Teresa surpresa foi que toda sua equipe, a pedido do gerente dela, foram se hospedar em outra cidade para evitar problemas sobre o acontecido. Ela teve que assumir o trabalho de vendas das fichas de Maringá e ficou por lá sozinha por mais uns dias, enquanto seus vendedores trabalhavam em outras cidades.


Aquele acontecimento foi manchete do dia de todos os jornais da cidade e das rádios. Os repórteres estavam ávidos para saber mais notícias, mas como era praxe na nossa atividade, mas o que mais chamou a atenção de todos foram os representantes das igrejas, padres, pastores, evangélicas foram até o vendedor para ajudá-lo a sair daquele estado anormal. Tudo foi contornado e o caso foi abafado e a LTN teve que pagar o prejuízo e talvez por conta disso, o vendedor, que ainda era pezinho, permaneceu na empresa, pagando o estrago em suaves prestações mensais. Como recordação deste dia, recebeu a partir daquele dia o sugestivo nome de BIRD – O Homem Pássaro.

Só quem viveu estes momentos pode contar uma história como essa.

"O CAMARO AMARELO"

Recentemente, a dupla sertaneja Munhoz & Mariano fez o maior sucesso com a musica "Camaro Amarelo". Creio que ainda é o sonho de consumo da maioria das pessoas possuir um carro deste, mas nos ano 90 o carro mais desejado pelos jovens era o top de linha da Volkswagen, o SP-2.  A historia abaixo conta a aventura do listeiro Flavio Leite, que comprou uma caranga desta e foi tirar onda e esta aventura durou somente uma semana, mas foi inesquecível.

A campanha estava sendo realizada na cidade de Ribeirão Preto, e as equipes estavam hospedadas no hotel Holliday Inn e o estacionamento deste hotel, que ficava no subsolo, tinha uma pequena rampa que servia para reduzir a velocidade de quem entrava ou saia do estacionamento e também para conter água da chuva, pois aquela região quando chovia forte, tinha uma enxurrada violenta, tanto que certa ocasião, quando houve uma tromba d'água na cidade, a água invadiu o saguão do hotel, inundando até parte do restaurante, que ficava ao lado.

Bem, nosso herói, que na época tinha um Fiat 147 azul, que era o carro possível de ser comprado e muitos listeiros tinham também, resolveu fazer um rolo com seu cunhado, que tinha um estacionamento em São José do Rio Preto e comprou o carro cobiçado: um SP2 conversível e amarelo, com rodão preto, cheio de acessórios. Era um show de carro, só que não!

Quando chegou com o carro no Holliday Inn, o primeiro problema; como o era rebaixado, ao entrar no estacionamento, o SP2 enroscou o assoalho na lombada. Ai a solução foi chamar um grupo de vendedores, que ergueram o carro para poder entrar na garagem do hotel.


Para sair da garagem, era outro show de horrores: o pessoal parava o transito e ele saia em velocidade para não encalhar na lombadinha e esta rotina se repetiu todos os dias. Num destes dias, ele pegou uma atribuição de renda numa fazenda no município de São José da Bela Vista, na região de Franca.  Quando chegou no local, para ir até a sede da fazenda, tinha que percorrer um trecho numa estrada com muita areia e não deu outra. Alguns metros depois o carro enroscou num banco de areia e não tinha o que se fazer, a não ser pedir ajuda ao pessoal da fazenda para tirar o carro do local.

O Flavio, que naquele dia estava usando gravata, teve que percorrer um bom trecho a pé, sob o sol escaldante da região e o fazendeiro prestou socorro a ele, puxando o carro com um trator. Com o carro num local seguro, o fazendeiro perguntou o que ele queria na sua fazenda e quando ele disse que era da lista telefônica e estava lá para renovar a assinatura de sua publicidade. o proprietário da fazenda disse com um pouco de raiva e ironia que se soubesse antes não o teria ajudado. Mas. por conta do favor prestado, o contrato acabou sendo cancelado.

Mas desgraça pouca é bobagem. Nada é tão ruim que não pode ser piorado. Quando saiu da fazenda, trabalhou o resto do dia numa boa e a tarde quando voltava para Ribeirão Preto começou a chover. Rapidamente ele ergueu a capota, mas era como se não tivesse erguido, pois ela estava toda furada e a chuva molhava o carro todo e para completar o quadro, o limpador de parabrisa também não estava funcionando. Chegou no atendimento todo molhado, revoltado e o sonho do carro conversível chegara ao fim.

E assim, encerro a serie das minhas lembranças da LTN. Não foi tudo o que eu quis, mas foi tudo feito com muito carinho e espero que de alguma forma tenha contribuído para despertar a lembrança nos que leram meus textos.

Sejam felizes!
Postado por Desafio fora do padrão às 04:28 Um comentário:
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest

terça-feira, 25 de abril de 2017

Capitulo 20 – Linha de chegada

Capitulo 20 – Linha de chegada

Com o fechamento do Editora Paulista, onde havíamos publicado a Agenda Comercial de São Carlos, Araraquara, São José do Rio Preto e o Star Guia de Ribeirão Preto, a situação estava cada vez mais complicada do ponto de vista financeiro. Ainda restava um pouco de dinheiro no Banco Itaú, um cheque especial, mas não tinha trabalho.

Literalmente a situação estava tão crítica, que não conseguia enxergar uma solução. Ainda mantinha contato com a Pinnati, Claudete, Silva de Ribeirão Preto e por conta disso, para clarear as ideias, passava muitos dias na chácara que a Claudete tinha em Brodósqui, a terra de Portinari,  mas trabalhar que era bom até aquele momento nada. Mil pensamentos e nenhuma ação.
Palacio Anhanguera - Sede do Governo de Palmas
Naquele ano, Palmas, capital de Tocantins, estava completando 10 anos de existência e ficamos sabendo que estavam contratando muita gente, que havia muitas oportunidades para empreendedores e a ideia de ir até lá passou a ser a conversa do momento. A Claudete estava casada com o Freire e ele também estava na mesma situação que eu. Havia sido demitido da LTN e também procurava trabalho. Conversa aqui, conversa ali e finalmente decidimos ir a Palmas a procura de uma oportunidade de trabalho ou negócio. O proposito era sair dali com alguma coisa arrumada.
 
Assim era Palmas quando a visitamos em 1992.
Fomos com um carro que a Claudete tinha, um Fiat Uno. A viagem até Palmas foi tranquila, sem nenhum incidente. Quando chegamos à Capital do Tocantins tivemos um misto de decepção e expectativa. A cidade era um canteiro de obra. O Governo funcionava em barracões feitos de madeira e tudo ainda era precário. Hotel, restaurantes, postos de gasolina, enfim, tudo estava funcionando a meia boca e os preços estavam na estratosfera.

Ficamos em Palmas dois dias. Visitamos diversas empresas, fomos a Secretária do Desenvolvimento de Palmas e lá descobrimos que se tivéssemos uma propriedade para dar como garantia, conseguiríamos levantar junto ao BASA – Banco da Amazônia AS, valores que permitiriam comprar fazendas, montar industrias ou investir num grande comercio. Era muito dinheiro à disposição, mas nós estávamos duros. Não tínhamos o que oferecer. Até tentei fazer parceria com algum empresário de São Carlos, mas não obtive êxito.

Chegamos à conclusão que Palmas, embora fosse uma terra de oportunidade, nós não tínhamos dinheiro para investir e as vagas que haviam no mercado era para serviço braçal, como pedreiros, carpinteiros, ajudantes, que não era o nosso objetivo e resolvemos abortar a ideia e voltar para Ribeirão Preto. Só que não. Freire é cearense e fazia alguns anos que não via sua família e disse que se eu concordasse, ele queria aproveitar que já estávamos no meio do caminho, fossemos até o Ceará, na cidade de Mucambo, visitar sua família. Discutimos sobre ir ou não, mas acabei concordando, pois o espirito de aventura falava mais alto e eu tinha oportunidade de passar em Fortaleza e conversar com o Manoel, que nesta altura, tinha voltado a trabalhar na LTN, como responsável do escritório que a firma havia aberto naquela cidade.
Travessia do Rio Tocantins
A viagem dali para frente foi uma aventura. O primeiro desafio foi atravessar o Rio Tocantins. Depois de sair de Palmas, tínhamos que voltar a rodovia que levava a divisa de Tocantins ao Maranhão. Tínhamos duas opção: voltar até Porto Nacional e dali para a Rodovia, que representava quase 200 quilômetros ou ir por Paraíso, mas tínhamos que atravessar de balsa o Rio Tocantins. Foi uma travessia demorada. Ficamos mais de meio dia na fila e chegamos do outro lado do rio já no começo da noite. A cidade tinha um nome muito sugestivo, embora não fizesse jus: Paraíso. 

A beira da Rodovia Belém Brasília, era uma cidade bem pequena na época, praticamente um ponto de parada da balsa que fazia travessia do Rio Tocantins. Nossa ideia era dormir em Paraíso e sair cedo no dia seguinte, mas devido à falta de estrutura da cidade, resolvemos seguir viagem noite adentro e a duras penas, muito cansado, conseguimos chegar já por volta de 02:00 horas na cidade de Imperatriz, já no Estado do Maranhão. Conseguimos uma pensão para passar a noite e no dia seguinte, fomos dar conta de onde realmente estávamos.

Imperatriz - Porta de entrada do Estado do Maranhão
Era a primeira vez que eu e o Freire passávamos por aquelas bandas e não tínhamos a menor ideia do que viria pela frente, mas o que ficou para trás foi inesquecível. Uma estrada de péssima qualidade, com muitos buracos no asfalto e praticamente nenhum ponto de apoio. De acordo com o que víamos no mapa, teríamos que atravessar o Estado do Maranhão, parte do Piauí e finalmente chegar no Ceará. Isto era muito mais que havíamos planejado. O dinheiro estava muito curto para concluir a viagem e tivemos que apelar para a Claudete e sacar o resto do dinheiro que eu tinha do cheque especial do Banco Itaú. Ainda assim, teríamos que conseguir dinheiro com a família do Freire, tão logo chegássemos a Mucambo, caso contrário, o dinheiro não daria para concluir a viagem.
Só uma ponte separa Timon de Teresina
Atravessar o Estado do Maranhão e chegar na cidade de Teresina foi o dia todo de viagem. Quando chegamos na cidade de Timon, a que faz divisa com o estado do Piauí e fica separada de Teresina apenas por uma ponte, fomos parados por uma blitz policial, que nos prendeu por mais de 03 horas, tudo por causa de uma lanterna que estava queimada. Maior sacanagem. Tenho impressão que o soldado não foi com nossa cara, pois era uma pequena infração de transito e não havia necessidade daquilo tudo. Quando ele se cansou de ver nossa cara, liberou nossa passagem, mas já havia anoitecido.
Não era essa, mas a situação era parecida.
Como o dinheiro estava contado, dava apenas para a gasolina, resolvemos seguir em frente, pois segundo o Freire, estávamos a menos de 200 quilômetros de Mucambo. Seguimos então a viagem por mais uns 50 quilômetros, quando deparamos com um movimento na pista, com vários carros e caminhões parados, O motivo tinha sido a quebra de uma ponte. Ela literalmente havia desabado e não tinha como passar. Sob ela, passava um riacho, onde tinha um grupo de pessoas que empurravam os carros através do riacho até o outro lado em troca de algum dinheiro. Funcionava com carro pesado, mas vimos um carro leve como o nosso tentar passar e a força da água o arrastou por um trecho e foi muito difícil trazer o carro de volta. Tomamos a decisão de não arriscar, afinal o carro que estávamos era da Claudete e se acontecesse alguma coisa, não iria ser fácil explicar. 

Então, resolvemos contornar e passar por outra estrada e com isso, rodamos mais uns 80 quilômetros até voltar na estrada que liga o Piauí ao Ceará e quando raiava o dia, vimos a placa de entrada para Mucambo. Dali até a casa da mãe do Freire eram mais uns 20 quilômetros e finalmente chegamos. Foram 03 dias de viagem de Palmas a Mucambo. E tínhamos que voltar. Estávamos a mais de 4000 quilômetros de casa e com dinheiro para encher o tanque mais uma vez e nada mais.
Mucambo - Ceara - Cidade pequena de povo hospitaleiro
Mucambo é uma pequena cidade do interior do Ceará, distante cerca de 60 quilômetros de Sobral e uns 250 de Fortaleza. A ideia era permanecer na cidade somente um dia e partir no dia seguinte, mas não era assim que o Freire pensava. Ele, após me apresentar sua família e seus amigos, foi visitar um parente na Serra do Ubajara, onde se fabrica a melhor pinga do Ceara e me deixou na casa de sua mãe, Dona Francisquinha. Disse que voltaria a tarde, mas ficou por lá uns 04 dias e quando retornou, ainda ficamos em Mucambo mais uns 03 dias. Imagine a situação que eu estava. Com pouca roupa, sem dinheiro e na casa de estranho, dormindo em rede, coisa que nunca havia feito até então. Quem me ajudou muito foi a irmã do Freire, a Selma, que tinha uma escola particular para crianças e era muito conhecida na cidade e nos dias que lá permaneci, ela foi minha guia. Apresentou para todo mundo, até para o Prefeito da Cidade, onde acabei indo almoçar a convite dele. A Selma era envolvida com política e ela acabou sendo eleita vereadora da cidade.
 
Feira na cidade de Mucambo
Não tendo o que fazer naquela pequena cidade, resolvi um dia falar para eles que gostaria de fazer um filé a parmegiana, prato que eles não conheciam, mas para isso eu precisaria comprar na cidade filé mignon, mussarela, molho de tomate e outros temperos. Moleza, pensava eu, creio que vão adorar, pois a carne que se encontrava em todo lugar era a “carne de sol”. Era comum ver nas casas nacos de carne pendurados secando ao sol, como fosse roupas secando no varal.
Assim se prepara a carne de sol
Quando fui a cidade junto com a Selma fazer as comprar, não tinha açougue na cidade, somente na feira você encontrava um boi pendurado e o açougueiro cortava a carne por quilo, sem a preocupação de selecionar a carne. O máximo que consegui foi uns bifes, mas não eram de filé mignon, Era apenas bifes e duros. mussarela não tinha, apenas queijo coalho e também não tinha tomate para fazer o molho. Molho pronto também não se encontrava naquela feira. Como havia prometido, tentei fazer o melhor que pude, mas certamente, eles comeram o filé à parmegiana a nordestino, que não deixou saudades em ninguém.  Em contrapartida, quando Dona Francisquinha fazia a carne de sol, era de lamber os beiços.

Finalmente, o Freire resolveu partir. Tinha conseguido algum dinheiro emprestado com a família e a promessa que a Claudete iria emprestar mais durante o retorno. Nossa primeira parada voltando para Ribeirão Preto, agora vindo pela BR 101 e a partir de Feira de Santana (BA), a BR 116,  foi a cidade de Fortaleza. Ai, oficialmente foi meu último contato com a LTN. Como disse anteriormente, o Manoel havia sido recontratado e agora era responsável pelo escritório que a empresa havia aberto naquela capital.

Fui procura-lo, além de matar a saudades do amigo, tinha no fundo a esperança que ele pudesse interceder junto a empresa para me recontratar também, mas a empresa já tinha mudado e o Manoel já não podia me ajudar, mas lembro de suas palavras na ocasião, que me fizeram pensar.
Fortaleza- O ultimo encontro oficial para falar de LTN
- Luis, disse ele – esquece a LTN, procure outra coisa para fazer. Toque sua vida. Pare de viver de passado. Creio que a partir deste dia, foi que nossa amizade se fortaleceu, pois, sai de Fortaleza ainda sem emprego, com mais dividas, pois agora também estava devendo para o cheque especial do Banco Itaú, mas com uma motivação e uma certeza que alguma coisa boa iria acontecer.

Claudete não estava tão feliz assim quando chegamos de viagem
Terminamos a viagem que era para durar somente uns 04 dias em quase 20 dias. Desnecessário dizer o carinho da Claudete quando de nossa volta. O que garantiu nossa sobrevivência era que o Freire era o marido dela, mas isto não impediu que ela falasse e com razão alhos e bugalhos para ele, e por tabela, para mim também.

Foi minha última viagem, onde tive, mesmo que indiretamente a participação da LTN. Era o sonho que chegava ao fim. Era hora de começar de novo e assim eu fiz. Os amigos foram rareando e os contatos diminuindo até que um dia tudo acabou. Se o Paulo Cesar não tivesse criado a página, talvez eu nunca estaria escrevendo histórias de um passado tão grandioso e generoso, que permanece vivo até os dias de hoje.

Agradeço a todos que tiveram paciência em ler o que consegui lembrar e reconheço que o trabalho poderia ter sido muito mais amplo e detalhado, mas a participação dos colegas foi muito pequena, fiz que pude e resolvi não mais continuar. Fica aqui minha homenagem a todos os membros da página EX-FUNCIONÁRIOS .
Postado por Desafio fora do padrão às 08:13 Nenhum comentário:
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Postagens mais recentes Postagens mais antigas Página inicial
Assinar: Postagens (Atom)

Total de visualizações de página

Quem sou eu

Minha foto
Desafio fora do padrão
Ver meu perfil completo

Arquivo do blog

  • ▼  2024 (1)
    • ▼  junho (1)
      • O retorno
  • ►  2022 (6)
    • ►  setembro (1)
    • ►  agosto (1)
    • ►  maio (1)
    • ►  março (2)
    • ►  fevereiro (1)
  • ►  2021 (12)
    • ►  setembro (2)
    • ►  julho (2)
    • ►  junho (1)
    • ►  maio (2)
    • ►  abril (1)
    • ►  março (2)
    • ►  fevereiro (1)
    • ►  janeiro (1)
  • ►  2020 (19)
    • ►  dezembro (1)
    • ►  novembro (1)
    • ►  outubro (1)
    • ►  setembro (1)
    • ►  agosto (2)
    • ►  julho (1)
    • ►  junho (3)
    • ►  maio (7)
    • ►  março (2)
  • ►  2019 (8)
    • ►  agosto (1)
    • ►  junho (2)
    • ►  abril (2)
    • ►  março (1)
    • ►  fevereiro (1)
    • ►  janeiro (1)
  • ►  2018 (14)
    • ►  dezembro (1)
    • ►  setembro (1)
    • ►  julho (1)
    • ►  junho (1)
    • ►  março (1)
    • ►  fevereiro (5)
    • ►  janeiro (4)
  • ►  2017 (29)
    • ►  dezembro (4)
    • ►  novembro (4)
    • ►  junho (1)
    • ►  abril (3)
    • ►  março (4)
    • ►  fevereiro (4)
    • ►  janeiro (9)
Tema Simples. Imagens de tema por Maliketh. Tecnologia do Blogger.